Cavalo de Troia do social coloca o Botafogo mais próximo de 2020
1 Sep, 2026
Troia explica o Botafogo de 2026 Foto: Arte gerada por IA Findou-se agosto, período que os antigos classificavam como o “mês do desgosto”. Nos 31 dias, o Botafogo não obteve nenhuma vitória no Campeonato Brasileiro e caiu algumas posições na classificação. Em quatro compromissos, foram três derrotas (Vitória, Paranaense e inominável) e um empate (Fluminense). Na Copa Sul-Americana, em uma chave super acessível até a final de Barranquilla (COL), o Alvinegro caiu para o minúsculo Cienciano (PER), sendo trucidado na altitude de Cusco. O mais grave, porém, aconteceu fora das quatro linhas. O social do Mais Tradicional, hoje com 51% das ações da SAF, extrapolou o papel de fiscalizador e passou a colocar as garras sobre o futebol. É óbvio que este movimento prejudicou a vida do Glorioso. Mitologia explica Na mitologia, os gregos fingiram abdicar da guerra e deixaram um cavalo gigante de madeira na praia como um falso presente de paz. Os troianos puxaram, então, o cavalo para as muralhas da cidade. Escondidos dentro do objeto, os gregos saíram à noite e abriram os portões para o exército inimigo conquistar Troia. A expressão “Cavalo de Troia” simboliza, assim, um acordo que parece contemplar a paz, mas que esconde um grande perigo. É uma alegoria que pode ilustrar a ingerência da gestão do presidente do associativo, João Paulo Magalhães, no futebol do Mais Tradicional. Magalhães, aliás, elevou a sua popularidade no botafoguismo ao utilizar-se de sua rede de contatos para estancar algumas sangrias da gestão temerária de John Textor, como, por exemplo, seis transfer bans e uma dívida de mais de R$ 2,5 bilhões. Habilidoso, o líder do associativo não foi omisso, encontrou um novo comprador para a SAF do Botafogo (GDA Luma) e ganhou uma justíssima notoriedade no universo preto e branco, enquanto, em abril, um tribunal arbitral apeava o Godfather do poder. “AssociaSAF” Apesar do momento ainda delicado nos bastidores e nas finanças, parecia, enfim, que a torcida do Botafogo teria paz para focar no campo e na bola. Antes da primeira crise e da necessidade da tomada de uma decisão, ninguém lembrava do social, como manda a rotina de um clube-empresa saudável. Para a opinião pública, a GDA já comandava a SAF. O associativo começou a se embananar na saída de Franclim Carvalho. Manteve um técnico demitido por mais seis dias e largou o competente treinador do sub-20, Rodrigo Bellão, no profissional, na sequência mais difícil do campeonato, ainda sem decidir se mantém o interino ou procura um novo treinador. Isso sem contar a aquisição de um preparador físico demitido do possante Araruama, da Segunda Divisão do Carioca, as ligações com o Boavista e a defesa abominável do nome de Renato Gaúcho. Um verdadeiro show de horrores. Esta é a verdadeira natureza do grupo que afundou o Glorioso. Na primeira oportunidade, retira a autonomia do futebol por ânsia de poder e protagonismo. Auge do amadorismo no Botafogo Antes de buscar cortinas de fumaça, o mandachuva do associativo não precisava ir longe. Em tempos de transição, bastava mirar o exemplo do antecessor/aliado. Em 2021, Durcesio Mello contratou um CEO para as operações do clube e um executivo de futebol no período pré-SAF. Na sequência, saiu de cena para cuidar dos esportes olímpicos ao mesmo tempo em que Textor iniciava o mandato, com toda uma estrutura. No entanto, o Cavalo de Troia de Magalhães deixa o Botafogo mais afastado de 2022 e próximo a 2020, no auge do amadorismo e com algumas semelhanças no roteiro, como a grande rotatividade no banco de reservas. Hoje, sem perspectiva, com elenco enfraquecido e sem reforços de qualidade, o clube briga na parte inferior da classificação. Ou seja, o campeonato do time alvinegro é contra Mirassol, Vasco, Coritiba, Internacional, Santos, Vitória e Remo. “Ah, mas o Botafogo conta com bons jogadores. Ah, mas vai chegar o Luiz Henrique”. Até a página 2. Em 2020, tinha o japonês Honda e o marfinense Kalou, duas grifes de Copas do Mundo. Nazário seria, na visão de alguns torcedores, o camisa 10 da Seleção Brasileira. Pedro Raul lembrava o Ibrahimovic. E o Glorioso, quebrado, terminou o Brasileirão como saco de pancadas e na última colocação. É claro que, em 2026, a equipe não vai segurar a lanterna. Mas o sinal vermelho deveria estar ligado, apesar de Marçal, Telles e Montoro sustentarem que o objetivo é uma vaga na próxima Copa Libertadores. Quanto mais cedo, melhor. Os sinais estão, portanto, dados. *Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.