Análise discursiva

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16 Sep, 2026
Análise discursiva O Diário - 16 de setembro de 2026 Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Compartilhar Uma notícia pode informar um fato e, ao mesmo tempo, conduzir o leitor a percebê-lo de determinada maneira. Isso ocorre no comentário sobre o Pisa 2025 quando se afirma que o Brasil “caiu no ranking”, mas que isso “não significa piora no desempenho”. A primeira expressão produz uma leitura de perda relativa, enquanto a segunda procura relativizá-la, distinguindo posição entre países e pontuação obtida. Essa “separação”, efetivamente, sustenta a coerência lógica do enunciado e também orienta sua interpretação. A expressão “caiu no ranking” produz uma impressão de piora que o próprio texto procura relativizar ao distinguir posição relativa de desempenho absoluto. O Brasil perdeu “oito posições em matemática, uma em leitura e seis em ciências, embora suas notas tenham permanecido estatisticamente estáveis nas três áreas”. Ainda que estranha, essa assertiva é logicamente possível, pois um país pode manter sua pontuação e perder posições quando outros obtêm resultados superiores, mas a escolha das palavras não é discursivamente neutra. Já a frase “não significa piora no desempenho” funciona como estratégia de atenuação discursiva, tecnicamente defensável, mas próxima de uma falácia de equívoco para o leitor leigo. Ao considerar “desempenho” apenas como pontuação, o texto deixa em segundo plano que perder posições também representa piora relativa diante dos demais países. Ou seja, não há, nesse caso, uma falácia lógica propriamente dita, mas um enquadramento retórico que suaviza o dado desfavorável. Em suma, no jornalismo, as palavras não apenas informam, mas também podem direcionar a interpretação de um fato.