Isadora Arce deixa o handebol de Novo Hamburgo para jogar na Grécia
16 Sep, 2026
O sonho que começou nas quadras de Novo Hamburgo agora se torna realidade do outro lado do Atlântico. Aos 11 anos, Isadora Arce começou a jogar handebol na Liga Hamburguense de Handebol (LHH/GUSCH). Agora, aos 21, deixa o Brasil para viver a primeira experiência profissional na Europa. A ponteira formada em Novo Hamburgo vai defender o Feax Kerkyra, da ilha de Corfu, na Grécia, em um novo capítulo de uma caminhada marcada por títulos, viagens, amizades e treinadores que tiveram papel importante em sua formação. Isadora defendeu a LHH por mais de um década e agora vai para a Grécia Foto: Divulgação O caminho até a oportunidade começou há mais de dez anos, quando Isadora ingressou na LHH. Os primeiros resultados, porém, estiveram longe de indicar o que viria pela frente. Em 2016, a equipe terminou o Campeonato Estadual na última colocação. Em 2017, ficou em quarto. A virada ocorreu em 2018 e 2019, com os títulos do Sub-14. Foi naquele período que Isadora passou a enxergar o handebol para além das quadras conhecidas. Os treinadores Renato Arena e Matheus Arena tiveram participação importante nesse processo. Renato esteve à frente da formação da atleta até 2019 e foi responsável, segundo ela, por ensinar os fundamentos da modalidade e transmitir valores que permaneceram ao longo da carreira. “Foi ele que nos ensinou a base, os principais fundamentos do handball e nos ensinou a ter muita garra, a ter muita vontade dentro da quadra. Então ele foi uma das pessoas que mais considero importantes na minha trajetória porque foi ele que me ensinou a gostar de verdade desse esporte”, destaca Isadora. Em 2019, aos 14 anos, veio uma experiência que ampliou seus horizontes. A atleta viajou para Maceió para disputar um Campeonato Brasileiro Sub-16. Era a primeira vez que saía do Estado para competir. A viagem permitiu conhecer outros lugares e culturas por meio do esporte e fez com que Isadora começasse a acreditar que o handebol poderia abrir portas que antes pareciam distantes. “Foi a primeira vez que eu viajei para jogar em outro estado. A gente foi jogar em Maceió, em 2019, um Brasileiro sub-16. Então, para mim, aquilo foi uma experiência, minha primeira experiência, conseguindo viajar para longe, conhecer outros lugares, outras culturas, por conta do handball.” A partir dali, a carreira ganhou novas conquistas. Isadora foi campeã estadual no Sub-16, Sub-18, Sub-21 e adulto, além de ter sido campeã brasileira com a seleção gaúcha. Também defendeu o Criciúma no Brasileiro Júnior, competição na qual a equipe terminou na terceira colocação, além de representar a Feevale por meio do Programa Esporte Universitário. A amizade no esporte A passagem pela LHH também deixou amizades que acabaram sendo decisivas para este novo capítulo. A ex-companheira de equipe, Clementina Pineyro, com quem atuou em 2023, recebeu uma proposta do clube grego. A equipe buscava duas jogadoras. Foi a amiga e uma agente quem indicaram Isadora. Depois de enviar vídeos e o currículo com os títulos conquistados, a hamburguense começou a conversar com o time até o acerto. A oportunidade ainda parece difícil de assimilar. “Acho que até agora, na verdade, estou meio em choque ainda. Parece que não caiu a ficha”, conta a atleta, que embarca para a Europa nesta quarta-feira (16). A mudança também traz um desafio pessoal. Isadora terá de ficar longe da família e, principalmente, da irmã, que está perto de completar 2 anos. Apesar da saudade antecipada, ela ressalta o apoio que recebeu durante toda a carreira. “Eu tenho uma irmã que vai fazer 2 aninhos. Para mim, com certeza vai ser muito difícil ficar longe dela. Eles crescem muito rápido nessa fase. É o que tá me deixando mais com o coração apertado.” Liderança dentro e fora das quadras Capitã desde as categorias de base, Isadora também construiu uma relação de liderança dentro das equipes. Para ela, ser referência nunca significou apenas ocupar uma posição de destaque, mas servir de exemplo para as companheiras. Isadora defendeu a LHH por mais de um década e agora vai para a Grécia Foto: Divulgação “Eu sempre gostei de ser alguém com quem as meninas pudessem confiar, com quem elas pudessem se espelhar. Então, o meu estilo de liderança nunca foi alguém autoritário, eu sempre tentei liderar pelo exemplo, pelo trabalho duro.” Agora, a jogadora que também cresceu inspirada por outras atletas passa a ocupar esse lugar para quem está começando. E leva para a Grécia a mesma ideia que aprendeu ao longo da caminhada: não deixar que a distância entre um sonho e a realidade impeça alguém de tentar. Para a Isadora de 2016, quando tudo ainda estava começando, ela deixaria um recado simples: continuar. “Eu diria pra ela não ter medo dos dias difíceis que eles também vão passar, que ela continue jogando e sonhando e amando a handball porque ele com certeza transformou a vida dela.” Formação na LHH Para Matheus Arena, a ida de Isadora Arce para a Grécia também representa a recompensa por uma caminhada construída desde as categorias de base. O treinador acompanhou a evolução da atleta desde os primeiros anos, quando ela surgiu no projeto social e passou pela escola de Novo Hamburgo. Depois dos títulos do infantil em 2018 e 2019, Isadora seguiu avançando pelas categorias e manteve a dedicação mesmo durante os períodos mais difíceis. “Em nenhum momento ela deixou de se abalar, continuou treinando, venceu o estadual. Se manteve com a nossa equipe. Nos momentos mais difíceis, como se diz. Então, a menina que serve de exemplo, sim”, afirma Matheus. Capitã desde a base, Isadora chegou ao adulto mantendo a mesma postura de liderança. Também conquistou espaço em competições de maior nível, como o Brasileiro Júnior, no qual defendeu o Criciúma, terceiro colocado, além de ter sido campeã brasileira com a seleção gaúcha. Neste ano, representa a Feevale com uma bolsa esportiva. Agora, ao vê-la dar o passo para o handebol europeu, Matheus celebra o resultado de uma caminhada da qual também fez parte. “Isso deixa a gente muito feliz com essa conquista dela. Aqui também tem um pouquinho de nós nesse momento de alegria.”