[Marcelo] Memphis é a cara da eliminação do Corinthians, mas não pode carregar a culpa sozinho

admin
17 Sep, 2026
Já começo adiantando que esse texto não é fácil. Para eu escrever e para você ler. A emoção toma conta, a raiva assume o lugar da razão e a maior vontade é xingar tudo e todos. Eu sei. E está tudo bem. A ideia aqui é, no meio desse caos, tentar trazer um pouco de luz em um momento sombrio. Vamos direto ao ponto: Memphis Depay. Por um lado, super importante na conquista dos títulos, peça fundamental na mudança de patamar do Corinthians e o camisa 10. Por outro, essas qualidades mexem com o nível da cobrança e da expectativa do torcedor. Um cara que vem da Europa, depois de passagens vitoriosas por grandes clubes, além de ser o maior artilheiro de uma seleção importante. Se não esperamos desse cara, vamos esperar de quem? Não acho que o pênalti perdido tenha acabado com a carreira do holandês no Corinthians. Não vejo que esse lance seja tema de apavoro, raiva e desgosto por mais um ano e meio. Tampouco acredito que haja algum tipo de rescisão pelo contrato que ele tanto lutou. Afinal, ele cobrou um pênalti como costuma bater: cruzado e forte. Se tivesse feito uma graça, como quando perdeu a cobrança diante do Mirassol, o papo era outro. Mas acredite em mim: Memphis Depay é fundamental para o Corinthians. E eu nem preciso voltar tanto no tempo para te mostrar isso. Foi ele quem deu a assistência para passarmos do Rosario Central, nas oitavas. A partir do momento em que entrou, foi nítida a mudança do time em todos os sentidos. Mais qualidade no ataque, mais movimentação na área ofensiva e mais espírito de luta. Também não é coincidência que os maiores feitos recentes do clube tenham a assinatura de Memphis. Campeonato Paulista contra o maior rival para sair do jejum de títulos? Assistência. E sem esquecer o quanto que ele acabou com o jogo da volta. Copa do Brasil para voltar a ganhar um título nacional? Gol contra Palmeiras e Cruzeiro, além do gol que garantiu o título. Além de todos os feitos dentro das quatro linhas, o processo de renovação é importante de ser lembrado. As más línguas dizem que ele quis ficar por não receber propostas da Europa, como se esperava depois da Copa do Mundo. E eu concordo, com algumas ressalvas. Mas o fato é que ele se tornou um torcedor do Corinthians. Por tudo que viveu com a camisa alvinegra. Por todas as portas que o clube abriu para ele. Por toda a idolatria que vê semanalmente nas arquibancadas. Apesar de tudo isso, todo torcedor sabe que Memphis vem devendo em 2026. Problemas físicos, outras prioridades, queda de rendimento. Tudo isso é inquestionável e merece ser cobrado. Mas o problema maior é o seguinte: ruim com Memphis, pior sem Memphis. No fim das contas, não foi ele que montou esse elenco limitado, para dizer o mínimo. Não foi ele que demorou para mexer na equipe quando nada estava dando certo. Não foi ele que, na ausência de um jogador importante, precisou usar outro atleta que não tem 10% da capacidade física, técnica e mental do titular. Vamos imaginar um dos cenários citados mais acima: Memphis e Corinthians rasgam o contrato e ele sai. E aí? Vai contratar uma peça de reposição com que dinheiro? Vai depositar todas as esperanças em Garro e Yuri? Vai usar umas opções reservas que mal tem capacidade de jogar pelo Corinthians? Pedro Raul? Gui Negão? Ruim com Memphis, pior sem Memphis. Esse texto não pretende questionar ou invalidar seus sentimentos negativos pela eliminação e pela chance desperdiçada do Memphis. No fim de tudo, o papel do torcedor é sentir, chorar, comemorar, vibrar. Torcer. Minha principal intenção é relembrar cada membro da Fiel que temos um grande jogador. Que erra e que acerta. Que joga bem e joga mal. Que faz gol e perde gol. Que se machuca e joga em sequência. Que acaba com uma partida e que some em outras. No fim das contas, o torcedor pode xingar, pode reclamar, pode cobrar. Memphis deu motivo para tudo isso. Só não podemos deixar que um pênalti perdido apague tudo o que ele já fez — e ainda pode fazer — pelo Corinthians. Hoje, a realidade é bem simples: ruim com Memphis, pior sem Memphis. Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.