Laboratório inicia teste clínico com polilaminina em pacientes em setembro
17 Sep, 2026
Resumo O Laboratório Cristália anunciou ontem que iniciará o teste clínico em pacientes com a substância polilaminina, ainda em fase 1 de estudo clínico para tratamento medular, em 24 de setembro. O que aconteceu Estudo será conduzido pelo Hospital das Clínicas de São Paulo e pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ambas na capital. A pesquisa será feita com equipes cirúrgicas das duas unidades que estão treinadas para a aplicação intramedular única. Teste será realizado em cinco pacientes voluntários que tenham indicação para cirurgia menos de 72 horas após sofrerem a lesão. Além disso, os pacientes devem ter idades entre 18 e 72 anos, trauma raquimedular agudo e lesão medular completa, e devem dar entrada em um desses dois hospitais. Inclusão no estudo dependerá de atendimento rigoroso aos critérios clínicos e assinatura do termo de consentimento. Os pacientes serão escolhidos pelas equipes médicas dos dois hospitais, seguindo critérios da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Após a aplicação, os pacientes serão acompanhados por seis meses. "Sob protocolo clínico e monitoramento independente de segurança", declarou o laboratório. Anvisa aprovou estudo clínico de fase 1 para tratamento com polilaminina em 5 de janeiro. O teste avaliará a segurança da aplicação em cinco pacientes com lesão medular torácica aguda e completa, de acordo com o laboratório. Empresa afirmou que está trabalhando em conjunto com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A parceria, conforme o laboratório, ajudará a facilitar o acesso de potenciais voluntários aos centros de pesquisa. Já na etapa de reabilitação, os pacientes terão apoio da AACD, organização voltada à ortopedia e reabilitação. Laboratório disse que as barreiras administrativas necessárias para o início do estudo foram superadas. "Agora nós estamos aptos a recrutar o primeiro paciente", declarou Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento do Cristália, em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo Almeida, o começo dos estudos clínicos é um marco na trajetória de desenvolvimento da polilaminina. Ele ressaltou que o laboratório atua em "total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes, gerar evidências científicas robustas, de segurança e eficácia". Em janeiro, Almeida disse ao UOL que havia pacientes recebendo o medicamento por meio de decisões judiciais em diferentes tribunais do país. Nestes casos, o laboratório disponibiliza gratuitamente a substância sem registro. Cabe ao paciente e familiares decidirem como será realizada a aplicação. Substância só poderá ser disponibilizada após a finalização das etapas clínicas e eventual aprovação regulatória pela Anvisa. Não há data para isso ocorrer. Polilaminina A polilaminina é uma substância originada a partir da laminina. A laminina é uma proteína extraída da placenta, onde é encontrada em abundância, e é responsável pelo crescimento celular, principalmente de células nervosas. A substância foi descoberta após 25 anos de pesquisa de Tatiana Coelho de Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Estudos também são desenvolvidos pelos pesquisadores da UFRJ em parceria com o laboratório Cristália. Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento do Cristália, explicou ao UOL, em janeiro, que, após iniciar a parceria com Tatiana em 2019, o laboratório desenvolveu o processo de produção nacional da laminina. Tratamento é feito com a aplicação da polilaminina direto na medula. Almeida explicou que o ideal é a colocação da substância durante a cirurgia de descompressão e estabilização da coluna do paciente logo após o trauma. Os estudos científicos conduzidos pelo laboratório foram realizados com base em lesões agudas, ocorridas há no máximo 72 horas. Porém, explica Almeida, na maioria dos casos judicializados, o paciente recebe a substância após a cirurgia de descompressão da coluna. Nesses cenários, é realizada a punção com agulha e injeção da polilaminina na medula. O tratamento fisioterápico é essencial após a aplicação do medicamento, de acordo com o vice-presidente do laboratório. Esse não é o caminho ideal estudado, mas é uma via alternativa encontrada. A gente está tendo, de fato, melhora em alguns pacientes. Mas, como eles estão fora da janela ideal [de aplicação], essa melhora vai diminuindo a partir do momento em que a lesão está há mais tempo instaurada. Rogério Almeida Não há nenhum dado que indique que a substância funcionará em pacientes com lesão medular há mais de três meses, disse Almeida. Segundo o laboratório Cristália, já estão em andamento testes, inclusive em cães com lesões na medula há mais de dois anos, visando avaliar, no futuro, a possibilidade de uso do medicamento em pacientes com lesões mais antigas. Cristália diz ser o único produtor de polilaminina hoje no mundo e reforça que não oferece a substância a nenhum paciente. Almeida pediu para que a população tenha cuidado com golpes de pessoas que entram em contato prometendo a doação ou acesso ao medicamento. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.