Partículas que causam auroras são recriadas no LHC

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17 Sep, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/09/2026 Partículas que produzem as auroras As auroras - boreais no hemisfério Norte e austrais no hemisfério Sul - ocorrem quando partículas do Sol entram na atmosfera da Terra, gerando espetáculos celestes brilhantes. É uma explicação bem genérica, e a verdade toda é que sabemos bem pouco sobre o processo de formação das auroras. Por exemplo, a forma como as colisões entre essas partículas, também conhecidas como raios cósmicos de baixa energia, e os gases da Terra resultam na aurora boreal é bem pouco compreendida. E ainda menos entendidas são as colisões envolvendo raios cósmicos de alta energia, que possuem mais de um milhão de vezes a energia dos raios solares, chegando à Terra vindos de estrelas que explodem em supernovas. O que sabemos até agora se baseia em simulações computacionais baseados em teorias, mas esses métodos têm produzido resultados variados e, às vezes, conflitantes. Para tentar lançar alguma luz nesse enigma, uma equipe internacional de físicos está usando o LHC (Grande Colisor de Hádrons) para recriar experimentalmente o momento em que os raios cósmicos de alta energia entram na atmosfera da Terra e colidem com os gases do nosso planeta. Esses dados experimentais são essenciais para produzir simulações embasadas na realidade, e não apenas nas teorias. "Os resultados são realmente especiais, pois esses dados são únicos e, em nossas medições, conseguimos demonstrar que nossos modelos anteriores para esse tipo de interação são, na verdade, muito imprecisos," confessou a professora Cigdem Issever, da Universidade Humboldt de Berlim, na Alemanha. Dados para melhorar simulações Reconhecendo as limitações das simulações computacionais, a equipe concebeu um experimento inovador que imita a forma como os raios cósmicos de alta energia colidem com a atmosfera da Terra. Dado o papel fundamental do oxigênio na atmosfera terrestre, os cientistas introduziram feixes de oxigênio pela primeira vez no LHC e os colidiram com feixes de prótons, que replicam os raios cósmicos de alta energia emanados de supernovas. Os resultados representam as primeiras medições já feitas de tempestades cósmicas recriadas em condições controladas de laboratório. Foram milhões de fotos das colisões, feitas usando uma câmera de alta velocidade e alta resolução, que captura as consequências das colisões de prótons, que ocorrem até 40 milhões de vezes por segundo. "Esses novos resultados aprimoram significativamente nosso conhecimento dessas interações subatômicas e nos ajudarão a explorar ainda mais a natureza das partículas cósmicas que caem do céu," disse Jesse Liu, da Universidade de Nova York. "Ao aprofundarmos nosso conhecimento sobre colisões cósmicas de alta energia na atmosfera da Terra, demos mais um passo para desvendar os muitos mistérios do nosso Universo." O próximo passo consistirá em inserir os dados experimentais nos modelos de formação das auroras.