Professores desvalorizados

admin
17 Sep, 2026
Professores desvalorizados Pesquisa mostra que a falta de interesse na carreira, e salários baixos comparados com outros países, afastam os jovens de uma profissão essencial Clique aqui e escute a matéria As eleições vêm e vão, campanhas prometem grandiosas mudanças, mas os governos passam no Brasil sem que transformações estruturadoras aconteçam, de modo a abrir a trilha do desenvolvimento social que se vislumbra há décadas, quando ainda se dizia sermos o país do futuro. Em um presente que se confunde com o passado e se demonstra cada vez mais desafiador diante das frustrações acumuladas – e da decadência gerada pela sucessão de crises institucionais nos Três Poderes – a educação desponta como um dos maiores problemas. O Instituto Semesp divulgou levantamento esta semana, indicando que de 2015 a 2023 o número de professores acima de 60 anos no ensino básico brasileiro mais que dobrou, ultrapassando 104% de elevação, enquanto o de jovens de até 24 anos apresentou queda de quase um terço, 31%. O envelhecimento docente é preocupante, porque vai se aproximando o momento de aposentadoria, sem que haja reposição de profissionais em quantidade suficiente para atender à demanda. E isso se dá por causa do desestímulo para a carreira, que deveria ser tratada como prioritária, mas é desvalorizada com condições de trabalho inadequadas, especialmente salarial. Há um desencanto com a sala de aula que afasta a juventude do ofício de ensinar as crianças e adolescentes. Os resultados da pesquisa do Semesp expõem o fracasso da educação no país nas últimas décadas. E portanto, o fracasso das políticas públicas voltadas para fazer da educação indutora do bem-estar social disseminado. Pelo contrário, atualmente a educação é um dos principais gargalos para o pleno desenvolvimento brasileiro. O desinteresse dos jovens em seguir o rumo da formação docente é um triste reflexo dessa realidade. Os salários das professoras e professores não são atraentes, por aqui, para os jovens que projetam o amadurecimento profissional em uma posição de estagnação. Em países como a Coreia do Sul e a Austrália, a perspectiva de ganho salarial expressivo faz com que a atratividade seja garantida. De acordo com estimativas do Instituto, em 2040 pode haver seis professores acima dos 60 anos para cada um de até 24 anos de idade nas escolas brasileira. Em que pese o valor da experiência na transmissão do saber, o risco de aposentadoria em massa, desprovida de renovação proporcional, é alto. Reverter a tendência decadente que se arrasta há tantos anos sem intervenções eficazes, a esta altura, requer um nível de compromisso que nenhum governante, salvo raras exceções, demonstra alcançar. O desempenho escolar poderia suscitar melhores remunerações a quem faz os alunos aprenderem, mas políticas voltadas exclusivamente para o mérito talvez não sejam suficientes para a dimensão da tarefa de requalificação da educação num país em que a desigualdade persistente também surge daí, de uma educação desigual e excludente. Se o piso salarial dos professores é baixo para levar os jovens a escolherem a carreira, é necessário investir no piso como política pública universalizada. Isso terá um preço para a nação, e tem que ter, como escolha a ser feita por representantes do povo que identifiquem na educação o mais comprovado insumo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e do crescimento econômico e social de um país.