Exposição de Elza Suzuki aborda as transformações da natureza

admin
2 Oct, 2026
A Fundação de Arte de Niterói (FAN) recebe, a partir do dia 6 de outubro, a exposição da artista Elza Suzuki, que apresenta uma produção marcada pela investigação da natureza, da paisagem e das transformações ambientais do planeta. Com curadoria de Desirée Monjardim , a mostra será inaugurada às 18h, na Sala José Cândido de Carvalho, no Ingá, e poderá ser visitada até 4 de dezembro. A exposição reúne trabalhos em que o gelo, a água e elementos da paisagem são transformados em matéria poética e visual, criando imagens que transitam entre o figurativo e o abstrato. A pesquisa da artista parte da observação direta da natureza e de experiências com diferentes materiais e técnicas, construindo uma reflexão delicada sobre as mudanças ambientais contemporâneas. As transformações provocadas pelo clima e os impactos da ação humana sobre o meio ambiente aparecem como uma espécie de fio condutor da exposição. O derretimento das geleiras, o movimento das águas e a relação entre floresta e rios são referências para uma produção que não recorre à representação explícita ou agressiva dos conflitos ambientais. Em seu lugar, Elza Suzuki constrói um discurso silencioso, utilizando a beleza e a sutileza das imagens como forma de provocar reflexão. “Seu protesto é silencioso, puro, através de imagens belas que falam por si”, observa Isis Braga, doutora em Artes Visuais e em Ciências e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), em texto sobre a produção da artista. Segundo Isis, Elza se apropria do gelo e descobre nele uma outra dimensão, criando imagens monocromáticas que revelam diferentes possibilidades da matéria. A artista parte, em alguns trabalhos, do universo figurativo, como nas imagens relacionadas às viagens e experiências na Amazônia, e desenvolve processos nos quais o gelo é desfeito e transformado até alcançar resultados abstratos. “Meu processo parte muitas vezes da experiência direta com a paisagem, de registros, desenhos, fotografias e observações de campo”, explica Elza Suzuki. A arte botânica também ocupa um lugar importante na pesquisa da artista, aproximando o olhar das formas, estruturas e detalhes do mundo vegetal. A experiência recente na Amazônia ampliou esse repertório e trouxe novas referências para pensar a relação entre água e floresta. A água participa não apenas dos temas abordados, mas também do próprio processo de criação. Elza trabalha principalmente com pintura e desenho, utilizando acrílica sobre tela e aquarela sobre papel. Em suas obras, explora aguadas, escorrimentos, respingos e diferentes camadas de tinta, permitindo que a matéria participe do processo e produza resultados que nem sempre podem ser completamente controlados. Em algumas obras, a artista utiliza gelo pigmentado, deixando que o derretimento crie caminhos, manchas e marcas imprevisíveis sobre a superfície. A fotografia e a manipulação digital também são incorporadas ao processo de criação de algumas obras e reproduções. O resultado é uma produção que une experiência, observação e experimentação, estabelecendo uma relação entre a paisagem e as questões ambientais do nosso tempo. Da comunicação visual às artes visuais Formada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, Elza Suzuki atuou por mais de 30 anos nas áreas de design gráfico, editorial e comunicação, desenvolvendo projetos para diferentes instituições e empresas. A partir de 2020, a pintura passou a ocupar um espaço cada vez mais central em sua prática. Desde então, a artista vem aprofundando sua pesquisa por meio da participação em exposições, residências e editais, construindo uma produção que reúne diferentes experiências e linguagens. Sua trajetória profissional também contribui para a construção de um olhar atento à imagem, à composição e aos processos de comunicação. Na pintura, essa experiência encontra novas possibilidades de expressão, especialmente na relação entre matéria, paisagem e natureza. Uma reflexão silenciosa sobre o meio ambiente Ao reunir trabalhos figurativos e abstratos, a exposição propõe ao visitante diferentes formas de perceber a natureza. O gelo, inicialmente reconhecível como elemento da paisagem, torna-se matéria de experimentação e, posteriormente, pode assumir formas que se afastam da representação direta. Nesse percurso, a obra de Elza Suzuki estabelece uma reflexão sobre um planeta em transformação. A beleza das imagens não elimina a dimensão crítica da pesquisa; ao contrário, cria uma maneira sutil de chamar atenção para as mudanças que atingem as paisagens, os rios, as florestas e as geleiras. A exposição apresenta, assim, uma artista que encontra na própria matéria da pintura uma forma de falar sobre o presente. Seu trabalho transforma o gelo, a água e a paisagem em elementos de uma narrativa visual que convida o público a observar, contemplar e refletir. Serviço Exposição: Elza Suzuki Curadoria: Desirée Monjardim Abertura: 6 de outubro, às 18h Visitação: até 4 de dezembro Local: Sala José Cândido de Carvalho – Fundação de Arte de Niterói (FAN) Endereço: Rua Presidente Pedreira, 98 – Ingá, Niterói Entrada: gratuita