Mauaense transforma poesia regional em passaporte à Europa
3 Oct, 2026
Mauaense transforma poesia regional em passaporte à Europa Campeã nacional de Slam, Mileny vive um intercâmbio na Inglaterra e pretende trazer experiências da cena poética para o Grande ABC As palavras carregam o poder de construir pontes, quebrar barreiras e transformar sonhos em realidade. Esse foi o caso da educadora de Mauá, Mileny Vitória Cândido Leme, 24 anos, ou apenas Mileny, que conquistou um intercâmbio na Inglaterra, após ser campeã do Slam BR em 2025, campeonato nacional de poesias faladas, ocorrido na Flup (Festa Literária das Periferias) no Rio de Janeiro. Em solo inglês, a mauaense teve a oportunidade de recitar textos autorais e traduzidos no festival idealizado pela emissora britânica BBC e a instituição National Poetry Centre (Centro Nacional de Poesia do Reino Unido, na tradução). A paixão pela poesia começou ainda criança, quando participava da Orquestra de Violeiros e Berranteiros da cidade. Aos 8 anos, ela já produzia alguns versos, mas foi em 2023 que começou na cena competitiva. Atualmente é uma das fundadoras e organizadoras do Slam ABC, que ocorre na Praça do Relógio em Mauá, além de ser bicampeã estadual e tri nacional por três competições diferentes. Nesta nova etapa da vida, a moradora do Jardim Zaíra explicou que a viagem foi programada para durar uma semana, de 22 a 29 de setembro, tudo pago pela BBC e pela instituição National Poetry Centre. “Foi um trabalho incansável do Slam da Guilhermina em organizar o campeonato nacional. Ter a competição já bastava, mas descobrimos que as instituições estavam assistindo à nossa apresentação e premiando o vencedor com o intercâmbio para o festival, que reúne diversos artistas do mundo”, comentou. Contudo, a vontade de aprender mais fez com que a artista estendesse a estadia, levando suas obras para atividades culturais de outras cidades inglesas e até mesmo para Portugal. O objetivo é permanecer na Europa até novembro e voltar com experiências de diversos eventos na bagagem. “É uma sensação surreal. Minha pretensão é conhecer o máximo que puder da cena de slams dos artistas locais, entendendo diferenças e similaridades para que eu aplique histórias no cenário brasileiro e seja a porta de entrada para outros poetas do Grande ABC. Parafraseando o Emicida, não vou voltar à minha quebrada de mão e mente vazia. Estar aqui é a realização de que as coisas não são impossíveis, principalmente por meio da arte”, acrescentou a artista. Em seus versos, Mileny carrega questões da vivência periférica, ancestralidade e a importância da arte-educação nos municípios, misturando atuações teatrais enquanto recita poesias. O poema registrado como Faísca 3.0, por exemplo, relata a luta e resistência de poetas regionais: “Eu sei exatamente de onde vim e onde quero chegar. Porque quem veio antes de mim não teve chance de parar. Fui feita arte antes de ser feita artista. Só para escutar no final das minhas aulas: Prô, recita aquela sua poesia?... Eu não vou ser reconhecida artista só depois que eu morrer! Me dá o alfabeto que eu te mostro a revolução que o ABC é capaz de fazer!” Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.