Review: Kingdom Hearts Collection [I-III]

admin
5 Oct, 2026
4–6 minutos Durante anos, a presença de Kingdom Hearts nos consoles da Nintendo carregou uma contradição complicada de ignorar. Poucas franquias combinam tão bem com um console portátil quanto uma série formada por RPGs extensos, mundos independentes e aventuras que facilmente ultrapassam dezenas de horas. Porém, quando a Square Enix finalmente levou Kingdom Hearts para o Nintendo Switch, a opção foi de usar versões executadas via nuvem. Embora funcionasse, tecnicamente, não parecia a melhor solução. E isso mudou com o Nintendo Switch 2 e o lançamento de Kingdom Hearts Collection [I-III] que chega ao Nintendo Switch 2, corrigindo este problema. O jogo vem com versões executadas nativamente no hardware, a coletânea finalmente entrega algo que deveria ter acontecido há muito tempo: a chance de acompanhar praticamente toda a saga de Sora sem depender de conexão constante com a internet. O resultado é mais importante do que simplesmente transformar antigos jogos em ports convencionais. A coleção tem sua razão de existir, afinal, ela serve como uma enorme retrospectiva sobre a evolução da franquia, preparando caminho para Kingdom Hearts IV, que chegará muito em breve. Colocados lado a lado, dá pra ver quanto a franquia mudou entre Kingdom Hearts, Kingdom Hearts II e Kingdom Hearts III, um período que supera a longa marca de mais de 20 anos. Mas para isso funcionar, algumas mudanças foram necessárias. Primeiramente, vamos ao cenário: Kingdom Hearts é basicamente uma mistura do universo de Final Fantasy com a Disney, trazendo Mickey, Donald, Pateta e muitos outros personagens e criando algo totalmente novo. Eu sei, parece loucura, mas funciona de forma linda. Parte do sucesso do jogo está em como Kingdom Hearts consegue apresentar isso para os jogadores: enquanto seguimos o roteiro e a aventura de Sora, caminhamos em diferentes mundos inspirados nas franquias da Disney, encontrando personagens conhecidos como Woody e Elsa, mas enfrentando os Heartless e descobrindo que existe um arco muito maior por trás de cada jogo. E, por incrível que pareça, essa fórmula continua funcionando mesmo depois de 20 anos. O grande problema é que os controles também tem essa idade. Isso não chega a estragar a experiência, obviamente, mas se você pega os games mais antigos, a luta é contra a própria câmera, o que era comum antigamente. De toda forma, essa coleção tem peso histórico e muito charme. Entretanto, eu entendo que nvoos jogadores sintam diferença com a nova versão, algo que quem cresceu jogando aprendeu a superar. Ainda assim, Kingdom Hearts funciona como um RPG de ação fácil de entender, com um combate simples que traz ataques físicos, magias e companions bem famosos. A melhor parte, entretanto, está em Kingdom Hearts II. O jogo é simplesmente sensacional, a movimentação, a velocidade dos ataques, a fluidez de tudo. Sora dança na tela enquanto você combate os inimigos. Tudo ganha mais impacto visual e mecânico. O grande talento de Kingdom Hearts está em colocar seus protagonistas ao lado de vários personagens e fazer isso parecer natural, normal. A franquia consegue criar a sua própria lógica de aventura e visual, depois que o jogador se acostuma, tudo se torna possível e aceitável. Esta coleção ainda se beneficia de todas as melhorias incorporadas em edições posteriores, como a apresentação em formato widescreen, textos mais claros e áudio aprimorado. E, obviamente, a trilha sonora de Yoko Shimomura faz tudo ficar ainda mais perfeito. Por fim, antes de fechar o review, precisamos falar sobre Kingdom Hearts III, onde vemos que estamos em uma geração totalmente diferente. O jogo é desenvolvido com Unreal Engine 4, contando com mundos maiores, animações mais complexas, cenários detalhados e combates que transformam a tela em um grande show de efeitos. Personagens como Elsa, Woody e Buzz ficam muito próximos do que vimos nas suas animações. Só que o salto não é apenas visual. Sora agora se move muito melhor, é mais rápido e as arenas são mais verticais, deixando o combate espetacular. Ataques passam a atravessar grandes distâncias, inimigos são encadeados em sequências rápidas e diferentes sistemas ofensivos surgem constantemente entre as batalhas. Quem jogar os 3 capítulos principais em sequência terá uma das melhores demonstrações de evolução em uma série de RPG de ação, algo que Kingdom Hearts III deixa muito claro. Bom, além disso, Kingdom Hearts Collection [I-III] reúne os conteúdos de HD 1.5+2.5 ReMIX, HD 2.8 Final Chapter Prologue e Kingdom Hearts III + Re Mind. Ou seja, a coletânea é uma verdadeira biblioteca histórica da franquia, trazendo os jogos principais, os capítulos intermediários e as histórias paralelas, que te deixam a par de tudo que está acontecendo. A franquia tem uma cronologia complexa, títulos bem incomuns e histórias bem distribuídas em diferentes jogos. Ter tudo isso concentrado em um único pacote é um verdadeiro abraço para os jogadores veteranos e uma simplificação de caminhos para os novatos. Veredito Kingdom Hearts Collection [I-III] não precisa reinventar a série para justificar sua existência. A Square Enix transformou esta edição em algo que os fãs esperavam há tempos. Ao colocar todos os jogos juntos, temos uma das retrospectivas mais interessantes de uma série de RPG disponível atualmente. É uma oportunidade excelente para revisitar a saga ou de finalmente descobrir por que tanta gente passou mais de 20 anos adorando uma franquia que conta com Mickey, Cloud e um garoto com uma chave gigante e sapatos engraçados. Kingdom Hearts Collection [I-III] é uma coletânea imperdível e a melhor forma de se preparar para o próximo jogo. Kingdom Hearts Collection [I-III] Desenvolvedora: Square Enix Publisher: Square Enix Plataformas: Nintendo Switch 2 Review feito no: Nintendo Switch 2 Positivo Enorme quantidade de conteúdo em um único pacote Trilha sonora de Yoko Shimomura permanece excepcional Formato portátil combina perfeitamente com RPGs tão extensos Nota 9 O post Review: Kingdom Hearts Collection [I-III] apareceu primeiro em O Vício .