Quase metade dos brasileiros 40+ já usa inteligência artificial
7 Oct, 2026
Pesquisa mostra que brasileiros acima de 40 anos estão cada vez mais presentes no universo das ferramentas digitais e da inteligência artificial Reprodução/Freepik (freepik.com) - rawpixel.com Por muito tempo, a tecnologia foi associada principalmente aos mais jovens. Quando o assunto é inteligência artificial , então, a impressão pode ser ainda mais forte. Mas os hábitos dos brasileiros acima de 40 anos mostram um cenário diferente. Um levantamento da MindMiners aponta que 49% dos brasileiros 40+ já utilizam ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Copilot . O estudo "40+: Poder, consumo e novos significados" também mostra que 80% desse público se sente confortável usando tecnologia no dia a dia. O grupo representa 45% dos brasileiros , segundo a pesquisa. E a presença digital não se resume à inteligência artificial . As redes sociais aparecem na frente, usadas por 76% dos entrevistados. As compras online vêm em seguida, com 67% , enquanto os serviços de streaming chegam a 50% . A IA aparece logo depois, com 49% , seguida por jogos digitais (41%) e aplicativos de saúde (31%) . Apenas 6% afirmam não utilizar nenhuma das ferramentas digitais analisadas. 40+ também quer aprender sobre tecnologia O levantamento também comparou as percepções dos brasileiros acima de 40 anos com as de pessoas entre 18 e 39 anos . E os resultados mostram que o interesse em aprender sobre tecnologia não diminui necessariamente com a idade. Entre os 40+ , 77% afirmam que ainda podem aprender sobre tecnologias atuais, incluindo ferramentas de IA . O índice é de 67% entre os mais jovens e de 71% na amostra total. A busca por atualização também aparece com força. Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados acima de 40 anos dizem procurar se manter atualizados sobre tecnologia, contra 54% entre os jovens. Ao mesmo tempo, 79% dos maduros consideram que a tecnologia avança muito rápido. Entre os jovens, o percentual é de 72%. Para Rosana Camilotti, Diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners , a diferença está relacionada à forma como cada geração se relaciona com a tecnologia. "Os jovens cresceram cercados de tecnologia e muitas vezes já dão esse conhecimento como garantido. Já o 40+ sente que precisa continuar se atualizando para não ficar para trás, e isso o torna mais aberto a aprender. É uma postura mais consciente, não uma corrida imposta", afirma. IA entra na rotina quando resolve problemas Quando o recorte passa especificamente para a inteligência artificial , a diferença entre as gerações também diminui. Entre os brasileiros 40+, 57% afirmam enxergar aplicações práticas da IA no cotidiano. Outros 53% dizem saber utilizar essas ferramentas da melhor maneira possível. Os números apontam para uma relação que vai além da curiosidade sobre a tecnologia. Para esse público, a utilidade parece ter um peso importante na decisão de incorporar uma ferramenta à rotina. É uma lógica que ajuda a explicar por que idade, sozinha, não parece determinar a adoção. "A ideia de que o 40+ resiste à tecnologia não se sustenta mais. O que existe é uma seleção mais criteriosa: esse público adota o que resolve um problema real e abandona rápido o que complica. Não é uma questão de idade, é uma questão de usabilidade", explica Rosana Camilotti . Problema pode estar na experiência Os dados também trazem um recado para quem desenvolve aplicativos, plataformas e serviços baseados em tecnologia. Se quase metade dos brasileiros acima de 40 anos já utiliza inteligência artificial , o desafio deixa de ser simplesmente convencer esse consumidor a entrar no ambiente digital. A questão passa a ser oferecer uma experiência que faça sentido para ele. Isso envolve interfaces intuitivas, recursos fáceis de encontrar e ferramentas que entreguem uma utilidade clara. Também significa deixar de presumir que uma pessoa acima de 40 anos precisa de uma experiência simplificada porque não domina tecnologia. O levantamento aponta justamente para o contrário: esse público já está conectado , compra pela internet, acompanha redes sociais, usa streaming e experimenta inteligência artificial. A diferença pode estar menos na capacidade de aprender e mais na disposição para continuar usando aquilo que realmente facilita a vida. Para o mercado de tecnologia , o recado é direto: o público 40+ não está chegando ao digital agora. Ele já está lá — e começa a escolher com mais cuidado o que merece espaço na rotina.