Marcelo de Carvalho, ex-dono da RedeTV!, leva condenação de R$ 100 mil após post racista contra africanos e muçulmanos

admin
8 Oct, 2026
O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Marcelo de Carvalho, apresentador e ex-dono da RedeTV!, a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos após uma publicação nas redes sociais que associava criminalidade na Europa à imigração africana e muçulmana. A decisão ainda determina que ele publique uma retratação no mesmo perfil em que divulgou o texto. Eu saía da Casa Piriquita, em Sintra, com as sacolas das lembrancinhas na mão, quando li o caso e parei na calçada. Há frase que não cabe na desculpa de “opinião”, minhas filhas. Quando se escolhe transformar origem, religião e aparência em suspeita coletiva, o estrago não fica só na tela. A publicação foi feita em julho de 2025, depois que um irmão do filho mais velho de Marcelo teria sido vítima de assalto em Barcelona. Ao comentar o episódio, ele escreveu que o autor seria “obviamente um sujeito de aparência africana” e afirmou que a Europa acabaria destruída por receber “muçulmanos africanos”. A ação civil pública foi movida pela Educafro Brasil, que acusou o empresário de racismo e xenofobia. O TJSP acolheu o pedido de indenização coletiva e ordenou a retratação pública, justamente porque o post foi veiculado em rede social e alcançou um público amplo. Eu guardei as compras e fui andando devagar pelas ruas de Sintra, porque a cena toda me dá um cansaço antigo: alguém com alcance fala para milhões, estereotipa povos inteiros e depois tenta reduzir tudo a um comentário sobre segurança. Não é tão simples assim, não. Em nota, Marcelo de Carvalho afirmou que vai recorrer e negou ter feito ataques à comunidade afro-brasileira. A defesa sustenta que a publicação se referia a um assalto específico em Barcelona e a um debate sobre política migratória europeia, não a uma coletividade nacional. O empresário também citou dados e relatórios internacionais sobre imigração e criminalidade para defender que discutia uma questão de política pública. A Justiça, no entanto, considerou que a publicação ultrapassou esse debate ao relacionar grupos étnicos e religiosos à violência de forma generalizada. Eu segui rumo às lojas do centro pensando que retratação não apaga o que foi lido, compartilhado e absorvido por tanta gente. Mas uma decisão judicial desse tamanho deixa um recado claro: preconceito não vira análise séria só porque vem vestido de opinião. A sentença ainda cabe recurso, e Marcelo confirmou que tentará reverter a condenação. Até lá, permanece a obrigação definida pelo tribunal: indenização de R$ 100 mil e uma retratação no mesmo espaço usado para publicar a fala questionada.