Equipe de brasileiro estreante vive dúvida existencial desde chegada à F1

admin
16 Oct, 2026
Equipe de brasileiro estreante vive dúvida existencial desde chegada à F1 Resumo O brasileiro Rafael Câmara vai estrear na temporada de 2027 da Fórmula 1 em uma equipe que conquistou muito mais do que era de se esperar em mais de uma década de presença no grid. Afinal, ela segue um modelo que ao mesmo tempo usa o regulamento da maneira mais eficiente possível e serve como uma espécie de amarra que impede o time de crescer. É como se a Haas vivesse uma eterna dúvida existencial: Afinal, qual é o meu objetivo na Fórmula 1? Para entender o cenário, é preciso voltar a 2016, quando a Haas estreou. A Fórmula 1 não vivia a época de vacas gordas de atualmente, era muito difícil até mesmo para times estabelecidos, como a McLaren, encontrar patrocinadores. Na verdade, a Marussia tinha falido e Gene Haas aproveitou para adquirir o espólio da equipe, em Banbury, na Inglaterra. Mas o norte-americano não queria repetir a máxima de "bilionários que entraram na F1 e se tornaram milionários". Ele usaria todas as brechas no regulamento para ter a operação mais enxuta possível, terceirizando a compra do maior número de peças permitidas pelas regras. Era assim que nascia a parceria com a Ferrari, que fornece, além do motor, câmbio, suspensões, sistema hidráulico, além de alugar o túnel de vento e o simulador. O esquema funcionou muito melhor do que era de se esperar. Nas 10 temporadas disputadas pela Haas até aqui, mesmo tendo, de longe, o menor orçamento e tendo vivido o calote de um patrocinador principal (quem não lembra da Rich Energy?) e as consequências da guerra da Ucrânia (que levou Mazepin e todo o dinheiro russo consigo de uma hora para a outra antes do início da temporada de 2022), foi a lanterna do campeonato apenas duas vezes. Mais do que isso: eles têm quatro oitavos lugares e um quinto, conquistado em 2018. Na temporada atual, mesmo com um dos piores com menos potência no grid, o Ferrari, e sendo a única equipe que opera abaixo do teto orçamentário, eles estão em um respeitável sétimo lugar. O teto, aliás, foi importante para que a operação pudesse se sustentar nos anos mais difíceis, pois freou a gastança de seus rivais diretos. Mas, passada a sequência bem difícil entre 2019 e 2023, o que impede a Haas de ser mais do que "a equipe que faz mais pontos por dólar investido" em uma época em que a F1 tem equipes com receitas batendo em 1 bilhão de dólares por ano? E aí que entra a tal pergunta existencial. O que a Haas quer? O chefe Ayao Komatsu está tentando mudar isso. Com uma parceria técnica com a Toyota, descentralizando a dependência da Ferrari. Foi essa parceria, por exemplo, que abriu o caminho para a Haas fazer um teste com os pilotos que lutavam pela vaga, algo que foi fundamental para Rafael Câmara ser escolhido. Ter quatro pilotos em um teste era algo impensável para a estrutura da Haas dois anos atrás. Outra melhoria importante é o uso de um simulador próprio, fruto também da parceria com a Toyota. Na verdade, até pelo fortalecimento dessa parceria com a Toyota, é estranho, à primeira vista, que a Haas vá para a temporada 2027 com dois pilotos Ferrari. O que só evidencia como o pacote que Rafael Câmara está levando em termos de performance e patrocínio é valioso para o time. O caminho é promissor, mas a Haas ainda engatinha. Eles operaram com um orçamento abaixo do ideal neste ano e sofreram muito com a falta de consistência das peças, que gerou um iô-iô de performances entre os pilotos na temporada. Em outras palavras, eles nem sempre puderam dar carros iguais a Ollie Bearman e Esteban Ocon. Ainda mais agora que há mais de um time norte-americano no grid, atrair patrocinadores tendo uma estrutura tão mais acanhada não é algo que será solucionado da noite para o dia. Mesmo com o dinheiro brasileiro, especialmente do banco Bradesco, chegando, a Haas ainda estará alguns passos atrás em termos de estrutura. Mas a nova equipe de Câmara está "fazendo análise" sob o comando de Komatsu, cada vez mais perto de se encontrar. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.