Jeep voltará a produzir na China com a Dongfeng e terá novos carros elétricos com direção autônoma

admin
19 Oct, 2026
Depois de quatro anos de ausência, a Jeep voltará a fabricar carros na China. A Stellantis anunciou que, a partir de 2027, vai reativar as linhas de produção da marca no país asiático, mas desta vez o objetivo não será apenas o mercado local: os novos modelos eletrificados serão enviados para diferentes regiões do mundo. Há, porém, uma exceção importante: esses carros não chegarão aos Estados Unidos, país de origem da Jeep. A informação foi confirmada por Lv Haitao, diretor-geral da Dongfeng Stellantis Automotive Technology, durante um encontro com a imprensa em Xangai em 24 de setembro, encerrando o assunto com um lacônico “por razões que todos conhecemos”. Quatro modelos e uma fábrica em Wuhan O plano, divulgado pela Automotive News Europe, nasce da aliança com a Dongfeng, grupo chinês com o qual a Stellantis já mantém uma sociedade de produção conjunta. Em agosto, as duas empresas criaram em Wuhan uma nova operação dedicada ao desenvolvimento de modelos eletrificados, e o programa prevê dois modelos da Jeep e dois da Peugeot. Os carros serão tanto totalmente elétricos quanto híbridos plug-in, ou seja, equipados com uma bateria recarregável na tomada e associada a um motor a gasolina. Eles serão montados na fábrica da Dongfeng Peugeot Citroen Automobile, também em Wuhan, que hoje produz modelos a gasolina para Citroën e Peugeot. A estreia na China está marcada para a segunda metade de 2027, enquanto, fora do país, os veículos serão distribuídos pela rede comercial da Stellantis. Entre os mercados citados estão Canadá e México, mas Lv não detalhou prazos nem os outros países de exportação. Por que os Estados Unidos ficam de fora O motivo envolve uma combinação de barreiras comerciais e preocupações com a segurança de dados. Desde setembro de 2024, os Estados Unidos aplicam tarifas de 100% sobre carros elétricos fabricados na China: na prática, o custo de um veículo dobraria ao entrar no país. E não para por aí. Washington pretende proibir a importação e a venda de veículos conectados com software de origem chinesa a partir dos modelos 2027, e com componentes chineses a partir de 2030. Ou seja, mesmo contornando as tarifas, a porta continuaria fechada, e a Stellantis optou por nem tentar. Uma história longa e irregular na China Para a Jeep, a China não é um território novo. Tudo começou em 1985, quando a American Motors iniciou, com a Beijing Automobile Works, a produção do Cherokee. A trajetória continuou com a chegada da Chrysler e a fusão com a Daimler, mas foi interrompida em 2008, quando as duas empresas se separaram. Em 2014, houve uma retomada graças à joint venture com a GAC, e entre 2015 e 2018 chegaram quatro modelos: Cherokee, Compass, Renegade e o SUV grande Grand Commander. Depois do recorde de cerca de 203 mil unidades vendidas em 2017, os números caíram para aproximadamente 20 mil, em meio à rápida migração dos consumidores chineses para carros eletrificados. Em 2022, a Stellantis encerrou a sociedade. Hoje, na China, são vendidos apenas modelos importados da Jeep: Grand Cherokee, Wrangler e a picape Gladiator. Leia mais: Jeep Avenger Limited 2027: os Prós e Contras da versão topo do novo SUV Stellantis estuda volta da lendária marca Willys para enfrentar chinesas DFM estreia no Brasil com Box e Vigo para encarar BYD e Geely DFM prepara abertura de 60 concessionárias no Brasil; veja como serão as lojas