Desinformação faz mal à saúde
21 Oct, 2026
Desinformação faz mal à saúde Quase 90% de conteúdo postado na internet entre 2017 e 2026, analisado pelo Observatório Lupa, foi classificado como falso, segundo relatório Clique aqui e escute a matéria Um dos maiores problemas da gestão de saúde pública durante a pandemia de Covid, entre 2020 e 2022, especialmente no primeiro ano, foi esclarecer a população acerca da enxurrada de mentiras circulando nas redes sociais, nos grupos virtuais das famílias e dos amigos. Centenas de fake news chegaram aos brasileiros, assim como em outros países, com alegações falsas a respeito da suposta eficácia de remédios que, sem terem sido produzidos com essa finalidade, nem preveniam nem curavam o terrível mal disseminado pelo coronavírus. Quando as vacinas começaram a ser feitas e distribuídas, novas ondas mentirosas afastaram milhares de cidadãos da imunização, num verdadeiro crime contra a saúde pública. E assim se disseminou outro mal, aumentando o alcance do pânico e dos efeitos da doença pandêmica – a desinformação. Em estudo que mostra a dimensão preocupante da questão, e abrange um período de antes a depois da pandemia, de 2017 até 2026, o Observatório Lupa analisou 764 alegações sobre saúde enviadas e recebidas por muita gente. Desse volume, 87% eram informações descabidas. Como o hábito da maioria é não checar nada e compartilhar o que chega com embalagem comunicativa de verdade, pode-se dizer que a desinformação em quase uma década tem sido um dos fatores determinantes do insucesso de campanhas preventivas, e dos danos à saúde no país. Os resultados do estudo reforçam a necessidade de responsabilizar os produtores de mentiras que são transmitidas facilmente, contaminando não somente o ambiente virtual, mas elevando os riscos de enfermidades reais. O relatório intitulado “Raio-X da Desinformação em Saúde — O que quase 10 anos de checagens revelam sobre as mentiras que ameaçam a saúde dos brasileiros”, os padrões das mentiras são vislumbrados, com destaque para os proveitos comerciais do material enganoso distribuído pelas redes, e o uso, mais recente, de montagens que se valem da inteligência artificial, como na simulação de declarações em vídeo utilizando figuras conhecidas, mas que jamais afirmaram o que é exibido. Nesse aspecto, a saúde atacada pela desinformação é uma potente evidência dos malefícios que a IA não regulada é capaz de gerar e estimular. O salto ocorrido durante a pandemia, na produção de fake news sobre prevenção e cura da Covid, e até a respeito de teorias conspiratórias tendo a doença como foco, aparece no estudo como ponto de virada em relação aos anos anteriores, quando as mentiras faziam mais alusão a substâncias milagreiras que poderiam curar quase tudo – lembrando as substâncias balsâmicas da era pré-científica. Nos primeiros dois anos após a pandemia, entre 2022 e 2024, a atenção da desinformação se voltou para supostos efeitos maléficos das vacinas, um desserviço que atinge até hoje não apenas a prevenção à Covid, mas também a cobertura de imunização de doenças que estavam aparentemente superadas, e começaram a retornar por conta da baixa cobertura vacinal. O falseamento de autoridade médica ou científica, ironicamente, parte do pressuposto que o público ainda reconhece o valor da ciência, até no instante em que é conduzido a desacreditar no método e nas conquistas científicas.