Muslera vira Safonov e busca o penta que era do Flamengo

admin
23 Oct, 2026
Arthur Elias sobre críticas à paralisação do Brasileirão na Copa feminina: “Ignorância” Técnico falou com exclusividade à Rádio Eldorado. Crédito: Estadão Muslera foi o herói do Estudiantes. Aos 40 anos, quatro Copas do Mundo jogadas e quase todas elas de modo inexplicável para o melhor pior goleiro do mundo, ou o pior melhor goleiro, ou o que mais tempo teve para mostrar suas poucas qualidades nas traves, mas que nos pênaltis acabou classificando heroicamente e merecidamente o Estudiantes. O time que foi melhor na Argentina, em 90 minutos, contra um Flamengo que, em La Plata, não acertou a meta do fraco Muslera. Leia também Palmeiras e Estudiantes disputam liderança histórica entre Brasil e Argentina na Libertadores Palmeiras x Estudiantes: tudo o que você precisa saber sobre a final da Libertadores Veja como foi o caminho de Palmeiras e Estudiantes até a final da Libertadores Flamengo, que também fez a mesma coisa num pavoroso primeiro tempo no Maracanã, de atuações sofríveis de Paquetá, Carrascal e Emerson Royal. Na segunda etapa, com quatro minutos e a expulsão de Rodríguez, esperava-se, enfim, o Flamengo dominante, o campeão da América e do Brasil, e ainda líder do Brasileirão, e que pintava como o melhor time da Libertadores, de melhor campanha e favorito contra um Estudiantes surpreendente. Time que não fez o dever de casa nos mata-matas, mas conquistou todas as vagas e classificações jogando bem, ou fazendo resultado fora de casa. Resultado que já parecia muito difícil antes de a bola rolar. Menos complicado depois de mais um tempo em que foi melhor do que o Flamengo. Mas que parecia muito improvável imaginar que, até o final da segunda etapa, o Flamengo não furasse a meta, ainda mais a de Muslera, goleiro responsável também pela precoce eliminação do Uruguai na última Copa do Mundo. E o que se viu no Maracanã, mais uma vez, foi um festival de improdutividade do rubro-negro. Mesmo com elenco estelar, mesmo com um nível de investimento absurdo, o Flamengo pouco produziu e levou aos pênaltis, e aquela sensação no Maracanã de que daria ruim, depois de ter jogado muito mal na Argentina e só ter jogado melhor no segundo tempo com um a mais. Nos pênaltis, como acontece muitas vezes no futebol, o fator casa não é preponderante, como havia sido na Libertadores passada em La Plata, quando Rossi foi o herói contra o próprio Estudiantes, abrindo o caminho do tetra rubro-negro, em Lima. E agora, no Maracanã, foi Muslera. Acredite se quiser. Na primeira cobrança, Arrascaeta de volta à equipe depois do punho fraturado, e de volta ao protagonismo. Muslera acertou o canto, mas não teve como. Sosa, 40 anos, empatou jogando no ângulo de Rossi, que errou o lado. Jorginho eram favas e bolas contadas, mas cantou demais o canto depois do pulinho, e Muslera defendeu um pênalti mal batido por um dos melhores no ofício. A noite era muito estranha no Maracanã. Como o escorregão de Cetre na segunda cobrança platina. Ainda assim a bola entrou. Mas foram dois toques. Pênalti repetido. Erro ainda pior. Chutou como Memphis em Itaquera contra o mesmo time. Coroando atuação pífia, Paquetá não bateu bem, e Muslera foi muito bem no canto onde já defendera a cobrança de Jorginho. Mancuso quase foi ao Ninho do Urubu para bater o terceiro pênalti. Rossi esperou uma porrada no meio do gol. Ela veio mais à esquerda dele. Mas o goleiro rubro-negro não se mexeu. Como o torcedor sentiu o baque. Léo Pereira, não. Fez um golaço no ângulo direito. Palacios encheu o pé no meio do gol, pelo alto. Rossi, nem na foto. Bruno Henrique, senhor Libertadores, artilheiro histórico, talismã, encheu a bola. No mesmo canto direito. Desta vez, mais alto. Outra vez Muslera defendendo como Safonov. Mais uma vez o fator casa pesando pouco nos pênaltis. Muslera defendeu três pênaltis e levou o Estudiantes à decisão no Centenário, em busca do pentacampeonato da América. Estudantes que, pela primeira vez, foi campeão lá em 1968, no mesmo estádio, e então contra o mesmo Palmeiras. À época, sua direção preferiu ganhar mais dinheiro fazendo o terceiro jogo decisivo no Uruguai do que no Chile, onde teria menos dinheiro no cofre, mas uma torcida mais equilibrada, diferentemente do que aconteceu naquela vitória por 2 x 0 dos Pincharratas. Quando a torcida argentina atravessou o Rio da Prata, lotou as arquibancadas do Centenário, e levou o time de La Bruja Veron a vencer o Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia. Agora tem toda uma história até o 28 de novembro de 2026. No mesmo Centenário e palco do tricampeonato do Palmeiras de Abel, que, em vez de enfrentar o Flamengo, numa melhor de três dos últimos anos de Libertadores, terá pela frente o cascudo, curtido e merecidamente classificado Estudiantes. Pelo que fez na Argentina, pelo que jogou no primeiro tempo no Maracanã, pelo que aturou no segundo tempo no Rio contra um Flamengo amorfo, sem ideias, sem futebol e sem a chance de ser o pentacampeão, como o mosaico mostrava. Na busca que fica pelo caminho, por erros do treinador e por atuações muito abaixo da excelente média do time rubro-negro. O penta pode pintar. Mas com as cores do Estudiantes.