Dossiê Volkswagen: novo Up! muda tudo e volta elétrico para encarar Dolphin Mini e EX2
28 Oct, 2026
Cinco anos depois de deixar a linha de produção no Brasil, o Volkswagen Up! está cada vez mais perto de ganhar um sucessor, ao menos no mercado Europeu. A fabricante alemã pediu ao Escritório da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) o registro do nome ID. Up, reforçando que seu próximo elétrico de entrada deverá resgatar o batismo do subcompacto vendido por aqui na década passada. A Volkswagen ainda não confirmou oficialmente o nome, mas já revelou boa parte do carro por meio do conceito ID.Every1. A versão de produção chegará ao mercado europeu em 2027, será fabricada em Palmela, Portugal, e terá preço próximo dos 20 mil euros, aproximadamente R$ 119 mil na conversão direta. Up volta porque os números perderam espaço A escolha do nome acompanha a mudança de estratégia da Volkswagen para sua família elétrica. Depois de apostar por anos em números pouco familiares ao público, a marca começou a recuperar batismos conhecidos para facilitar a identificação dos carros e também aproveitar parte da aceitação deles junto do público. O ID.2, por exemplo, virou o novo ID. Polo, o SUV derivado dele adotou o nome ID. Cross em referência ao T-Cross, e o substituto do ID.4 passou a ser chamado de ID. Tiguan. O antigo ID.1, portanto, deverá chegar às lojas como ID. Up, ocupando novamente a base da gama. VW ID. Polo Fotos de: Volkswagen VW ID. Tiguan Mesmo assim, esta não será a primeira vez que o nome aparecerá em um Volkswagen elétrico. O antigo subcompacto chegou a ter na Europa uma versão chamada de e-Up!, equipada em sua fase mais recente com motor de 82 cv, bateria de 36,8 kWh e autonomia declarada de 255 km. O e-Up! era na prática uma adaptação elétrica do carro a combustão, construída sobre a mesma base e com limitação de alcance, bateria e recarga. Já o ID. Up já nasce de uma plataforma desenvolvida para modelos a bateria. VW ID1 Every1 Concept Foto de: Volkswagen Do antigo Up! deve sobrar pouco além do nome Apresentado em 2025, o ID.Every1 já entrega uma boa prévia do que pode-se esperar do carro que irá para as linhas de produção. Seu desenho conserva as proporções quadradonas do carro original, a coluna traseira larga e o acabamento preto na tampa do porta-malas, mas utiliza uma carroceria consideravelmente maior e com quatro portas laterais. Com 3.880 mm de comprimento, 1.816 mm de largura, 1.490 mm de altura e 2.539 mm de entre-eixos, o conceito é 191 mm mais comprido, 171 mm mais largo e tem 118 mm adicionais na distância entre os eixos em relação ao Up! brasileiro - que já era maior do que o europeu - embora fique 14 mm mais baixo. O crescimento não o transforma em um novo Polo, já que ele continuará homologado para quatro ocupantes e voltado principalmente ao uso urbano. O porta-malas, por outro lado, aumenta dos 285 litros do antigo modelo nacional para 305 litros no conceito elétrico. A cabine também seguirá uma proposta simples para manter o preço sob controle, com painel digital pequeno, central multimídia destacada e bastante plástico aparente. A Volkswagen, ao menos, abandonou a ideia de concentrar todas as funções nas telas e voltou a utilizar botões físicos no volante e para comandos importantes. Foto de: Roland Hildebrandt Mecânica ainda pode mudar Embora a ficha técnica do carro de produção permaneça em segredo, o ID.Every1 foi apresentado com motor elétrico dianteiro de 95 cv, autonomia superior a 250 km pelo ciclo europeu WLTP e velocidade máxima limitada a 130 km/h. O modelo utilizará uma derivação mais simples da plataforma MEB+, compartilhando componentes com o ID. Polo. O irmão maior começa com bateria LFP de 37 kWh, motor de 116 cv e autonomia de até 329 km, além de passar de 10% a 80% da carga em cerca de 23 minutos. Para conservar a diferença entre os dois, o ID. Up poderá receber uma bateria menor e potência abaixo dos 116 cv do ID. Polo de entrada. A Volkswagen ainda não confirmou a capacidade, a autonomia definitiva ou a potência de recarga da versão de produção. Estreará tecnologia da Rivian Mesmo ocupando a base da linha, o ID. Up será responsável por estrear uma das tecnologias mais importantes do Grupo Volkswagen. Ele será o primeiro modelo da empresa a utilizar a nova arquitetura eletrônica desenvolvida em parceria com a norte-americana Rivian. A solução substitui diversas centrais espalhadas pelo carro por computadores mais potentes e permite atualizar ou adicionar funções remotamente. A mesma base eletrônica será utilizada posteriormente por outros elétricos das marcas Volkswagen, Audi e Scout, fazendo do modelo mais barato da linha o responsável por testar a tecnologia em grande escala antes de sua aplicação em carros maiores e mais caros. BYD Dolphin Surf Foto de: BYD Geely EX2 Foto de: Motor1 Brasil Renault Twingo Foto de: Renault De olho em Dolphin, EX2 e Twingo Com preço-alvo de 20 mil euros, o futuro ID. Up custaria cerca de R$ 119 mil numa conversão direta. O valor o deixará aproximadamente 5 mil euros abaixo do ID. Polo e na mesma faixa de Renault Twingo E-Tech, Citroën ë-C3 e outros elétricos urbanos, como os chineses BYD Dolphin Surf - versão local do nosso Mini - e o Geely E2, equivalente ao EX2. Mas, apesar da força que o nome Up! ainda tem por aqui, a Volkswagen não deu qualquer indicação de que pretende oferecer o novo elétrico no país. O modelo foi desenvolvido de olho na Europa e será produzido em Portugal, enquanto a estratégia brasileira para carros a bateria passa inicialmente pelas importações de carros feitos por suas parceiras na China, como a SAIC. Uma das exceções, é claro, é o ID.4, que acabou de chegar às lojas em um pequeno lote, mas ainda não sabemos quando ele será substituído por aqui pelo ID.Tiguan. Por ficar em uma faixa bem mais cara, a marca conseguiria ter margem para trabalhar um carro vindo do Velho Continente, algo que fica bem mais difícil em um elétrico de entrada. Modelo original tentou substituir o Gol Lançado no Brasil em 2014, o antigo Up! ganhou fama principalmente depois da chegada do motor 1.0 TSI, em 2015, mas nunca alcançou o volume esperado pela Volkswagen. Inicialmente, a ideia é que ele acabasse de vez com a família Gol, mas sua receita de citycar europeu não foi tão aceita pelo público do veterano, ganhando com o tempo outro posicionamento dentro da linha. Sua produção terminou em Taubaté (SP) em 2021 para abrir espaço à nova família do Polo. 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