Sem vencer há 81 dias, Corinthians precisa virar time de G4 para não cair
29 Oct, 2026
Em 18º lugar no Campeonato Brasileiro, o Corinthians tem 66% de probabilidade de cair para a Série B, segundo cálculos do Departamento de Matemática da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Para escapar de disputar a Série B pela segunda vez na história, o clube precisa passar por uma transformação radical de desempenho nas seis rodadas finais. Com 33 pontos e a pior campanha do returno, o desafio corintiano passa por não só dar fim a uma série de marcas negativas como acumular vitórias. Tendo por base a margem segura de 45 pontos para escapar, o Corinthians precisará fazer 12 dos 18 pontos em disputa. Ou seja, um aproveitamento de 66,6% de aproveitamento – superior ao do terceiro colocado Cruzeiro, que tem 56%. Atualmente, a equipe registra 34%, índice que cai para pífios 15% no returno. Para alcançar o tal "número mágico", serão necessárias ao menos três vitórias nas seis rodadas finais (desde que empate os outros três), tarefa hercúlea para quem não obtém um triunfo há dez jogos. Os matemáticos estimam que é preciso fazer no mínimo 42 pontos para existir a possibilidade de permanecer na elite. Porém, nas últimas três edições do Brasileirão esse índice foi insuficiente. No ano passado, por exemplo, o Ceará ficou na 17ª colocação e acabou rebaixado com 43 pontos. Em 2007, o Corinthians caiu mesmo com 44 pontos. Corinthians terá dois jogos em seis dias para iniciar "metamorfose" Os dois próximos jogos, ambos contra rivais paulistas, serão vitais para o Corinthians indicar que pode se salvar. Na sexta (30), a equipe recebe o Mirassol, na Neo Química Arena. Cinco dias depois, fará clássico contra o São Paulo, com mando do adversário na Vila Belmiro, em Santos. Caso não faça ao menos quatro dos seis pontos no período, irá para as quatro rodadas finais dentro da zona do rebaixamento. O cenário seria péssimo porque haverá uma pausa de duas semanas para a Data Fifa, destinada às seleções. Assim, o período que Clarence Seedorf terá para treinar a equipe, de fato, será sob imensa pressão e desconfiança de que seja técnico capaz de resgatar a equipe. A última vitória corintiana no Brasileirão foi há 81 dias. Em 9 de agosto, a equipe fez 2 a 0 no Red Bull Bragantino, no interior paulista, com gols de Rodrigo Garro e Pedro Raul, pela 22ª rodada. Àquela altura, era o sétimo colocado, aspirando vaga na Libertadores. Porém, nas dez rodadas seguintes, foram nove derrotas e um empate. A pior sequência do clube na era dos pontos corridos resultou na demissão do técnico Fernando Diniz e a inesperada contratação de Seedorf, que não treinava um time há sete anos. Jejum na Neo Química Arena, tradicional fortaleza, é ainda maior O tempo que o Corinthians está sem vencer em casa no Brasileirão é ainda maior. Em 23 de julho, a equipe fez 3 a 0 no Remo, pela última rodada do primeiro turno. Nesses mais de três meses, o Timão triunfou duas vezes na Neo Química Arena, mas as partidas foram por outras competições – 2 a 1 no Internacional, pela Copa do Brasil, e 1 a 0 no Rosario Central, pela Libertadores. Em 2026, o Corinthians tem seus piores números no estádio, inaugurado há 12 anos. Com sete derrotas em 16 jogos como mandante, o clube só tem campanha melhor no quesito que os virtualmente rebaixados Remo e Chapecoense. Considerados somente os pontos fora de casa, o Timão seria o 13º colocado, quatro pontos acima da zona do rebaixamento. Na reta final, a equipe fará três jogos em casa, todos contra equipes envolvidas na briga para fugir do Z4 (Mirassol, Grêmio e Botafogo). Caso volte a se impor em casa e vença essas partidas, ficará perto do objetivo de seguir na elite nacional. Não sofrer gols é passo fundamental para se reerguer O Corinthians não sai de campo sem levar gols há dez jogos no Campeonato Brasileiro. Nessa série, a meta de Hugo Souza foi vazada 22 vezes, uma média de 2,2 gols sofridos por partida. Nas primeiras 20 rodadas, a equipe destacou-se pela solidez defensiva, com média de 0,91 (20 gols em 22 jogos). Por isso, um desafio central e urgente de Seedorf é reencontrar essa capacidade de proteger a defesa. Nos dois primeiros jogos sob seu comando, a equipe fez três gols, mas levou quatro. Em sua primeira entrevista coletiva, em 14 de outubro, o holandês falou em buscar equilíbrio entre todos os setores da equipe. Contra o Mirassol, na sexta-feira, às 20h, o técnico tenta mostrar que, após quase uma semana de treinos, conseguiu dar o primeiro passo nesse sentido e que pode operar a metamorfose para evitar que a equipe caia pela primeira vez para a Série B após quase duas décadas.