Empresas tradicionais de Pernambuco aceleram uso de IA e parceria com startups para destravar crescimento
29 Oct, 2026
Clique aqui e escute a matéria A busca por eficiência e competitividade levou o setor empresarial tradicional de Pernambuco a um momento de virada, onde a inovação deixou de ser uma promessa distante para se tornar prioridade na agenda da alta liderança. Impulsionadas pelo avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) e pela necessidade de modernizar suas operações, as companhias locais têm buscado na aproximação com startups o caminho para acelerar essa transformação. Segundo levantamento realizado pelo LIDE PE com 100 empresas de 11 setores do Estado, 71% das corporações já incluem a IA em suas discussões e planejamentos estratégicos. No entanto, a expansão dessas tecnologias ainda esbarra em gargalos históricos, como bases de dados fragmentadas e processos operacionais arcaicos. O diagnóstico da pesquisa aponta que o custo de não inovar deixou de ser apenas um risco teórico e passou a impactar diretamente o caixa das organizações. Cerca de 63% dos executivos consultados relatam sofrer impacto financeiro direto devido a deficiências tecnológicas, sendo que 40% enfrentam perdas relevantes de eficiência operacional e 23% afirmam que o problema custa dinheiro e trava o crescimento do negócio. Diante desse cenário, a alta gestão encara a automação e a inteligência analítica como alavancas indispensáveis para proteger margens de lucro e expandir suas operações sem inflar os custos fixos desproporcionalmente. Nesse ambiente de urgência, a colaboração entre grandes corporações consolidadas e startups tem surgido como a principal ponte para encurtar o ciclo de inovação. O estudo indica que 60% das empresas pernambucanas já buscaram parcerias externas ou soluções desenvolvidas por startups para resolver dores operacionais específicas. Entre as organizações que apostaram nessa integração, 68% alcançaram resultados bem-sucedidos ou mantêm os projetos em evolução contínua. Apesar do entusiasmo com o potencial das novas ferramentas, a transição exige enfrentar desafios internos antes que os ganhos de produtividade se consolidem. A barreira mais frequente relatada pelos executivos é a falta de uma infraestrutura de dados organizada e confiável, já que informações dispersas em planilhas isoladas inviabilizam o funcionamento pleno da IA. Além das dificuldades técnicas, a consolidação da inovação depende da superação da resistência cultural e do aumento do letramento digital das equipes internas. Para transformar a tecnologia em resultado, as lideranças destacam a necessidade de capacitação continuada e redesenho de rotinas de trabalho. "Ainda existe uma imaturidade dos empresários sobre o que é inteligência artificial, que nada mais é do que dados. O primeiro impacto de quem começa a investir em IA é se deparar com a realidade dos seus próprios dados. Às vezes a empresa tem o dado, mas não os têm estruturados", afirma o presidente do Lide Startups de Pernambuco, Philippe Magno. O levantamento revela ainda uma mudança marcante na governança da inovação em Pernambuco, que deixou de ser um assunto restrito aos departamentos de TI para ocupar o centro das decisões da alta gestão. Em 46% das empresas pesquisadas — proporção que chega a 62% entre as pequenas e médias —, a liderança direta dos projetos de tecnologia cabe ao próprio CEO ou Presidente. Já nas grandes corporações, a condução migra para diretorias técnicas e executivos dedicados à inovação. Segundo Philippe, esta primeira edição da pesquisa servirá como base para direcionar as empresas à resolução das atuais dificuldades e ampliar o leque de alternativas de fomento à inovação que podem ser acessadas pelos negócios, desde a atuação conjunta com startups a linhas de crédito e fundos de fomento à inovação e universidades. " Perfil e Amostra da Pesquisa 100 empresas de Pernambuco (102 executivos respondentes) abrangendo 11 setores da economia. Porte financeiro: 41% das corporações faturam acima de R$ 200 milhões ao ano. Quadro de colaboradores: 21% das organizações possuem mais de 1.000 funcionários. Adoção e prioridades tecnológicas Presença da IA: 71% das empresas citaram a Inteligência Artificial em seu planejamento — sendo 46% via escolha objetiva e 25% espontaneamente nas respostas abertas. Áreas prioritárias para inovação: IA e automação de processos: 46% Vendas e relacionamento com cliente: 39% Dados; inteligência de negócio: 34% Financeiro e gestão de custos: 28% Operações e produção: 26% Marketing e comunicação: 23% RH e gestão de pessoas: 11% Logística e supply chain: 10% TI e infraestrutura e jurídico: 9% Relacionamento com startups e soluções externas Aposta no ecossistema: 60% das organizações já buscaram inovar com startups ou fornecedores externos. Taxa de sucesso: 68% das empresas que buscaram soluções externas obtiveram bons resultados ou mantêm os projetos em evolução. Adoção por porte: buscaram parcerias externas 73% das grandes empresas, 65% das médias e 68% das pequenas.