Renato Aragão tem mansão de R$ 18 mi penhorada e leilão entra no radar
30 Oct, 2026
Eu estava estacionando na porta da academia, no Leblon, quando minhas amigas do Recreio dos Bandeirantes me ligaram por chamada de vídeo, as três falando ao mesmo tempo, e eu larguei o garrafão de água no banco do carro. A fofoca chegou em coro: a Justiça do Rio mandou penhorar a mansão de Renato Aragão, o nosso querido Didi, por uma dívida de IPTU que, atualizada, chega a R$ 548.283,69, referente aos exercícios de 2021 a 2023. Subi para a esteira passada e com o processo inteiro na cabeça. A decisão foi assinada em 27 de outubro pela juíza Kátia Cristina Nascentes Torres, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Capital, minha xará sem parentesco nenhum. Um oficial de Justiça vai fazer a penhora e avaliar a casa, a esposa do artista será intimada e o próprio Renato fica como depositário, responsável por conservar o imóvel até nova decisão. Na prática, a casa continua dele, com a chave na mão dele, mas agora amarrada ao processo como garantia de pagamento. Os números contam a história melhor do que a fofoca. O imóvel está anunciado por R$ 18 milhões, e a dívida equivale a cerca de 3% desse valor. E atenção ao detalhe: os R$ 18 milhões são o preço pedido no anúncio, e a avaliação que vale para o processo é a que o oficial de Justiça vai fazer agora. O que pesa aqui é o tempo que esse boleto ficou pendurado, três exercícios inteiros, numa casa que tem até heliponto. Para entender o que vem depois, fui atrás de quem vive disso. Pierre Henriques, consultor jurídico e sócio da Smart Leilões, que eu já apelidei de professor do martelo, porque a empresa que ele fundou em 2020 com Pedro Gomide e Renan Lopes já ensinou leilão imobiliário a mais de 6 mil alunos pelo Brasil, explica que a penhora é uma etapa mais avançada da execução fiscal. "A penhora vincula o imóvel ao processo como garantia do pagamento da dívida. Se o débito permanecer em aberto, o processo pode avançar para a avaliação judicial e, posteriormente, para o leilão do bem", diz. Ele ressalta que nada disso é automático: Renato ainda pode quitar ou negociar o débito, e a partir da intimação terá prazo para apresentar embargos à execução, o instrumento que permite contestar a cobrança. Essa novela tem temporadas anteriores. A Prefeitura do Rio abriu a execução fiscal em dezembro de 2025, e a cobrança passou a correr no dia 23 daquele mês. Em janeiro de 2026, o anúncio da casa, no condomínio Pontal Oceânico, à venda desde 2023, subiu de R$ 16 milhões para R$ 18 milhões. Em maio, a prefeitura pediu o bloqueio do imóvel, e a equipe do humorista informou à imprensa que a dívida estava sendo negociada. Cinco meses depois, chegou a penhora. Minha leitura: tentar vender uma mansão de alto padrão com execução fiscal aberta é entrar no paredão com a torcida contra. Henriques lembra que a restrição judicial gera insegurança para quem quer comprar e que uma venda feita durante a execução pode até ser questionada na Justiça. Soma a isso a natureza propter rem do IPTU, que quer dizer que a dívida acompanha o imóvel e passa para quem compra. Comprador de R$ 18 milhões chega com advogado, puxa certidão e usa o débito para pedir desconto. Subir o preço justamente no mês em que a cobrança ganhou o noticiário foi uma jogada que eu considero arriscada. No Radar da Kátia, o próximo capítulo é a avaliação feita pelo oficial de Justiça, seguida do prazo de embargos, que pela Lei de Execução Fiscal é de 30 dias a partir da intimação da penhora. Se ninguém pagar nem negociar, o caminho natural é o leilão, e aí mora o risco de verdade: em leilão judicial, o Código de Processo Civil admite lances abaixo da avaliação, considerando preço vil apenas o que fica abaixo de 50% dela, salvo se o juiz fixar outro mínimo. Com uma dívida desse tamanho diante do patrimônio, minha aposta é um acordo ou parcelamento antes de qualquer martelo. É leitura minha, e o processo é que vai dizer. Para quem está do outro lado do balcão, o recado vale ouro. Antes de assinar qualquer compra de imóvel, de quitinete a cobertura, puxe certidão de débitos de IPTU, certidões de distribuição de ações e a matrícula atualizada. "A análise prévia das certidões, dos débitos tributários e de eventuais restrições judiciais é fundamental para que o comprador conheça os riscos envolvidos e evite surpresas depois da aquisição", resume Henriques. E para quem investe em leilão, casos assim mostram que o imóvel penhorado pode voltar ao mercado pela porta do acordo bem antes de virar oportunidade de lance. O Didi passou décadas tirando os Trapalhões de apuro com um jeitinho e uma gargalhada. Esse apuro tem solução de manual: um acordo com a prefeitura, uma certidão negativa e a mansão de volta à vitrine sem processo grudado no anúncio. Até lá, o IPTU mais comentado da orla do Recreio segue rendendo assunto na minha academia no Leblon.